Em vídeo disponibilizado no YouTube, diretora-presidente do Jornal Estado de Direito comenta o resultado das eleições de 2026, a influência das plataformas digitais, a defesa da Constituição e a necessidade de manter a mobilização da sociedade.
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, confirmada no domingo, 25 de outubro de 2026, abre um novo período de debates sobre os rumos da democracia brasileira, a preservação dos direitos sociais e os desafios impostos pelas transformações tecnológicas.
Na manhã desta segunda-feira (26), a advogada, jornalista e diretora-presidente do Jornal Estado de Direito, Carmela Grüne, gravou uma manifestação em vídeo para compartilhar reflexões sobre o processo eleitoral, a participação da sociedade civil e as responsabilidades que permanecem após a escolha do novo governo.
Lula foi reeleito para seu quarto mandato presidencial, com 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Mobilização popular e o papel das plataformas digitais
Um dos principais pontos abordados por Carmela é o impacto das tecnologias digitais sobre a formação da opinião pública e a liberdade de consciência dos eleitores.
A jornalista destacou a mobilização organizada em torno da candidatura de Lula, especialmente a participação do deputado federal André Janones, responsável pela iniciativa conhecida como Exército de Lula, que reuniu milhões de participantes nas redes digitais.
Ao comentar a dimensão dessa mobilização, Carmela também chamou a atenção para a necessidade de compreender como algoritmos e plataformas podem interferir na circulação de informações e nas condições de acesso aos diferentes conteúdos.
A reflexão foi acompanhada de uma experiência relacionada ao próprio Jornal Estado de Direito. Segundo a diretora-presidente, o portal, que habitualmente registra entre 600 e 900 acessos diários, apresentou uma redução expressiva nos dias anteriores à votação, chegando a 58 acessos no domingo.
Carmela questionou se a diminuição poderia estar relacionada aos mecanismos de distribuição e visibilidade de conteúdos nas plataformas digitais. Trata-se de uma preocupação levantada pela jornalista, que demanda investigação técnica para identificar suas causas.
A discussão envolve questões fundamentais para o exercício da democracia: transparência algorítmica, pluralidade informativa, liberdade de expressão e autonomia das pessoas na formação de suas escolhas políticas.
Soberania nacional também é soberania tecnológica
Outro aspecto destacado no vídeo foi a importância de o Brasil investir no desenvolvimento de suas próprias capacidades científicas e tecnológicas.
Ao comentar o pronunciamento de Lula após a vitória eleitoral, Carmela ressaltou a defesa de uma comunicação mais próxima da população e a necessidade de enfrentar os desafios decorrentes da inteligência artificial e da concentração das plataformas digitais.
Para a jornalista, o conceito de soberania nacional ultrapassa a defesa territorial e precisa incorporar a autonomia tecnológica, energética e alimentar.
A reflexão estabelece uma conexão com a entrevista concedida pelo ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli ao Jornal Estado de Direito, na série informativa sobre os 38 anos da Constituição Federal, na qual foram discutidos desenvolvimento econômico, recursos naturais e autonomia nacional.
Nesse contexto, o investimento em educação, ciência e tecnologia aparece como elemento fundamental para reduzir dependências externas e ampliar as possibilidades de desenvolvimento brasileiro.
Os 38 anos da Constituição e a responsabilidade democrática
Carmela também recordou o trabalho desenvolvido pelo Jornal Estado de Direito durante o período eleitoral, especialmente por meio da série de entrevistas dedicada aos 38 anos da Constituição da República de 1988.
A iniciativa reuniu juristas e representantes de diferentes áreas do conhecimento para examinar criticamente as conquistas constitucionais, seus desafios contemporâneos e os riscos de retrocesso social.
Segundo a jornalista, a defesa da Constituição não deve ficar restrita aos profissionais do Direito. Compreender o papel do Sistema Único de Saúde, da educação pública e gratuita, da liberdade religiosa, da liberdade de pensamento e dos direitos trabalhistas é uma responsabilidade compartilhada pela sociedade.
Ao avaliar o resultado eleitoral, Carmela destacou que a mobilização democrática não pode se limitar à escolha presidencial. A atuação do Congresso Nacional e a discussão sobre projetos de lei e propostas de emenda à Constituição continuarão exigindo acompanhamento público.
A defesa dos direitos assegurados pela Constituição de 1988, em sua avaliação, depende da participação permanente da população nos debates sobre políticas públicas e decisões institucionais.
Liberdade religiosa e Estado laico
Em outro momento da manifestação, Carmela compartilhou uma experiência vivida durante viagem de trabalho a Manaus, poucos dias antes do segundo turno.
Enquanto aguardava uma refeição no restaurante de um hotel, presenciou uma reunião religiosa na qual houve manifestação de apoio eleitoral ao número 22, associado à candidatura de Flávio Bolsonaro.
O episódio motivou uma reflexão sobre os limites entre a liberdade religiosa e a utilização de espaços de fé para manifestações político-eleitorais.
Carmela ressaltou a importância de preservar a laicidade do Estado brasileiro, de modo que as políticas públicas e a proteção dos direitos fundamentais contemplem todas as pessoas, independentemente de suas convicções religiosas.
A preocupação apresentada não se refere à liberdade individual de participação política das pessoas religiosas, mas à necessidade de impedir que determinada orientação religiosa se sobreponha aos direitos e às liberdades assegurados constitucionalmente a toda a sociedade.
A Justiça do Trabalho e a continuidade da defesa dos direitos sociais
A preservação da Justiça do Trabalho também esteve entre os temas da manifestação.
Carmela destacou que a continuidade e o fortalecimento das instituições responsáveis pela proteção dos direitos trabalhistas dependem não apenas da atuação dos governos, mas também da mobilização da sociedade diante de propostas legislativas que possam alterar suas competências.
A jornalista recordou que as conquistas sociais brasileiras não surgiram espontaneamente. Resultam de processos históricos de reivindicação e participação coletiva.
Na avaliação apresentada no vídeo, a reeleição presidencial não encerra os desafios democráticos. Ao contrário, abre uma nova etapa de acompanhamento das instituições, fiscalização das políticas públicas e defesa dos compromissos constitucionais.
Jornal Estado de Direito reafirma continuidade de suas atividades
Às vésperas de completar 21 anos de atuação, em 15 de novembro de 2026, o Jornal Estado de Direito reafirma seu compromisso com a divulgação do conhecimento jurídico, o debate público e a promoção dos direitos fundamentais.
Carmela agradeceu aos juristas, pesquisadores, profissionais e leitores que participaram das iniciativas desenvolvidas pelo jornal, especialmente durante a série informativa sobre a Constituição Cidadã.
A diretora-presidente destacou que o trabalho de comunicação e educação jurídica continuará por meio de reportagens, entrevistas, vídeos e atividades voltadas à aproximação entre o Direito e a sociedade.
O vídeo encerra com uma reflexão sobre a responsabilidade coletiva na construção do futuro do país, defendendo a continuidade da participação democrática, o combate às discriminações e um modelo de desenvolvimento comprometido com a dignidade humana.
Assista à manifestação completa de Carmela Grüne no canal do Jornal Estado de Direito no YouTube:
Jornal Estado de Direito | 26 de outubro de 2026