Os negros e o 13 de maio

Se você deseja se tornar um colunista do site Estado de Direito, entre em contato através do e-mail contato@estadodedireito.com.br
Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

Passado e presente

Reportagem de ZH de 11 de maio destacou a alarmante situação dos negros na Região Metropolitana de Porto Alegre. Para entender bem os dados trazidos pela importante reportagem, basta remontarmos a narrativa histórica dos negros neste país. O 13 de maio, lembrado por todos como o dia oficial da libertação dos negros escravizados neste país, diz muito pouco sobre a real situação do elemento servil levado nesta data a elemento liberto.

Para o Movimento Negro, especialmente a partir da década de 70, o dia seguinte, 14 de maio (e também o 20 de novembro), tem uma simbologia maior, pois é calcado na realidade passada e presente. Vejamos bem, ao abolir a escravidão, o Estado brasileiro, como é de conhecimento de todos, não realizou nenhuma política oficial de reinserção desses negros na sociedade brasileira. Ora, sabe-se que a população diretamente responsável por grande parte do excedente econômico produzido no Brasil foi a mão de obra negra escravizada, não bastasse isso, tudo o que foi construído neste país até meados do século 20 – igrejas, prédios públicos, prédios culturais e outros – teve o sangue e o suor do negro escravizado.

Quem anda pela Rua da Praia em Porto Alegre sente a energia presente nos antigos prédios da contribuição do elemento servil. É inegável a presença negra na construção do Estado do Rio Grande do Sul e da cidade de Porto Alegre. Contudo, a ausência de reconhecimento dos negros no nosso Estado tem sido a tônica, especialmente, no mercado de trabalho e no tratamento institucional público, reconhecidamente o que mais promove o racismo institucional, ou seja, exerce um tratamento não isonômico para com os negros.

Soluções

Quais seriam as soluções? Primeiramente, tanto o Estado quanto a sociedade teriam que realizar esforços para combater os males presentes, ainda, de um processo histórico de “subordinação” e “acomodação” do negro. Em segundo lugar, teríamos que promover políticas específicas para essa população, seja através da ampliação das cotas raciais nos cargos públicos, ou mesmo um tratamento que promovesse a participação do negro na condição de empreendedor. Por fim, é importante um papel maior das universidades e das instituições de Ensino Superior na discussão do fenômeno do racismo para com o negro, promovendo, assim, a conscientização daqueles que serão as lideranças da nossa comunidade política. Destaca-se que o racismo não é um problema do negro, mas também do branco e dos demais grupos étnicos que vivem na Região Metropolitana de Porto Alegre.

18622486_1590049411045655_2210612239605859412_n

 

Lúcio Antônio Machado Almeida é Articulista do Jornal Estado de Direito – Professor Universitário na Faculdade de Direito da Dom Bosco, Doutor em Direito pela UFRGS, Mestre em Direito pela UFRGS, Advogado e integrante da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RS, Pesquisador sobre Ações Afirmativas no Brasil e nos EUA, Autor do livro: Direito Constitucional às Cotas Raciais: a contribuição de Joaquim Nabuco, Editora Buqui, 2015.
Picture of Ondaweb Criação de sites

Ondaweb Criação de sites

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat. Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur. Excepteur sint occaecat cupidatat non proident, sunt in culpa qui officia deserunt mollit anim id est laborum.

Cadastra-se para
receber nossa newsletter