Diante da falta de diálogo e da manutenção de ataques aos direitos, Federação Nacional dos Petroleiros envia ofício recusando texto apresentado e repudia postura da empresa; orientação é para que a categoria participe das assembleias, ratifique a rejeição e aprove a paralisação por tempo indeterminado
Após 103 dias de negociações, a Petrobras apresentou nesta terça-feira (09/12), no Edifício Horta Barbosa (Edihb), no Rio de Janeiro, sua 3ª e “última” proposta para o novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A resposta da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) foi imediata e contundente: a proposta foi rejeitada na mesa.
A FNP já enviou ofício à companhia formalizando a negativa, repudiando o uso da reunião de ontem como mera tática protelatória ao invés de uma verdadeira rodada de negociação.
A Federação Nacional dos Petroleiros denuncia a posição unilateral da gestão Magda Chambriard, que, ao longo de todos os encontros, pouco dialogou com as demandas reais apresentadas pela categoria em julho, limitando-se a empurrar uma pauta rebaixada.
Esse cenário fortalece a convicção das entidades sindicais pela única saída restante: a greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira, 15 de dezembro.
Migalhas para quem produz
O ponto central da rejeição econômica permanece.
A empresa ofereceu um aumento real de apenas 0,5% na RMNR, limitando-se à reposição da inflação (IPCA) para os demais níveis. A oferta é um desrespeito frente aos lucros recordes da companhia, drenados para dividendos bilionários de acionistas privados, enquanto a força de trabalho recebe propostas indignas.
As subsidiárias Transpetro, PBIO e TBG apresentarão propostas diferenciadas da holding, o que exige atenção redobrada das bases nessas unidades.
Supressão de folgas e ataques à jornada
A proposta não só ignora avanços, como consolida retrocessos nas condições de trabalho:
- Retorno de Férias: embora a empresa firme compromisso de não convocar trabalhadores, reduziu o período de proteção de 8 para apenas 5 dias.
- Médicos e dentistas: a empresa criou um problema no meio da campanha e já ataca os futuros contratados com jornadas superiores, chegando a 40 horas semanais.
- Offshore e Turno: mantém-se a política de supressão de folgas e a famigerada questão dos “desimplantes” para os embarcados, outro ataque que surgiu durante a campanha e segue sem solução.
- Teletrabalho: não há qualquer avanço, como o dia a mais ou os ‘dias coringas’ demandados pelos empregados do administrativo.
- Hora Extra Troca de Turno (HETT): a empresa propõe ajuste de médias no refino, gás, termelétricas e Cenpes. Ao exceder 20 minutos, será considerado hora extra. Contudo, a proposta é desigual: enquanto aumenta o HETT do CENPES, concede apenas 1 minuto de aumento no Boaventura. A FNP defende que a margem de 20 minutos sem pagamento deveria ser reduzida, não normalizada.
Golpe na AMS: conta de R$ 90 milhões nas costas do trabalhador
Diferentemente do que se ventilou, o ataque à AMS é financeiro e direto. Não se trata apenas de reajuste por índice maior que o IPCA, mas da transferência do custo administrativo, antes exclusivo da companhia, para as costas dos trabalhadores, que passarão a pagar 30% integralmente.
Isso representa uma fatura de aproximadamente R$ 90 milhões jogada sobre a categoria. Além disso, a empresa impõe o reajuste do Grande Risco pelo VCMH Petrobras (índice cujos parâmetros nunca foram demonstrados) e quer administrar sozinha o fundo de sustentabilidade — construído com 2% da renda variável dos trabalhadores e outros superávits — sem a participação dos verdadeiros donos do dinheiro. Ou seja, nós.
Aposentados e Pensionistas: esquecidos e ignorados
É fundamental destacar o descaso absoluto com quem construiu essa empresa. Não houve nenhum avanço para os aposentados e pensionistas, como a reposição das perdas salariais das últimas décadas.
A proposta ignora completamente qualquer manifestação para a solução dos Planos de Equacionamentos de Déficits (PEDs) da Petros, condenando os assistidos a continuar arcando com contas impagáveis enquanto a empresa lucra bilhões.
Chantagem da PLR e convocação geral
O RH da Petrobras condicionou o adiantamento da PLR para janeiro à assinatura do acordo até 30 de dezembro.
Os dirigentes da FNP denunciam essa manobra como chantagem para forçar a aceitação de um texto prejudicial sob a pressão do calendário e das festas de fim de ano.
Diante da intransigência, a FNP convoca a categoria a comparecer massivamente às assembleias até quinta-feira (11/12) para RATIFICAR A REJEIÇÃO da 3ª proposta e DEFLAGRAR A GREVE.
Essa convocação é para todos que constroem o Sistema Petrobras:
- Trabalhadores offshore;
- Empregados do administrativo;
- Trabalhadores do operacional de terra;
- Aposentados e pensionistas da Petros;
- Empregados das subsidiárias;
- Companheiros terceirizados.
Somente a paralisação unificada da produção forçará a Petrobras a respeitar nossa pauta.
O recado é claro: Não tem arrego! Não tem desculpinha de arrocho e preço do brent!
MENOS ACIONISTA, MAIS ACT!
A partir do dia 15/12, a categoria petroleira cruza os braços! FNP, A LUTA É PRA VALER!
Fonte FNP