A geografia nunca deve definir o destino de um país, diz líder da ONU

Por Nargiz Shekinskaya* 

 Desenvolvimento econômico

António Guterres participa de Conferência sobre Países em Desenvolvimento sem Litoral, no Turcomenistão; reunião quer encontrar soluções para desafios dessas nações, promover ação climática e resiliência e gerenciar dívidas externas entre outros pontos.

Romper barreiras e restaurar a equidade no desenvolvimento global deve ser o objetivo da Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Países em Desenvolvimento Sem Litoral, segundo o secretário-geral António Guterres.

Nesta terça-feira, ele discursou na abertura do evento, em Awaza, Turcomenistão.

Verdade fundamental

Ele pediu aos líderes globais a repensar o desenvolvimento das nações sem litoral, afirmando que “a geografia nunca deve definir o destino”, como uma verdade fundamental.

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, dos 32 países em desenvolvimento sem litoral em todo o mundo, 16 estão na África, 10 na Ásia, quatro na Europa e dois na América Latina. Juntos, eles abrigam mais de 500 milhões de pessoas.

Conferência quer encontrar soluções para desafios da arquitetura econômica e financeira global
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Conferência quer encontrar soluções para desafios da arquitetura econômica e financeira global

Guterres destacou os “desafios assustadores” que essas nações enfrentam: barreiras comerciais acentuadas, altos custos de transporte e acesso limitado aos mercados globais. Ele alertou que o peso da dívida desses países atingiu “níveis perigosos e insustentáveis”.

Desigualdades e marginalização 

Embora representem 7% da população mundial, eles concentram pouco mais de 1% da produção econômica e do comércio globais. “Este é um exemplo flagrante de profundas desigualdades que perpetuam a marginalização”, disse o Secretário-Geral, atribuindo isso a “uma arquitetura econômica e financeira global injusta que não reflete as realidades do mundo interconectado de hoje.

A tarefa da conferência, conhecida como LLDC3 e que acontece na Awaza até sexta-feira, é encontrar soluções para esses desafios.

Adotado pela Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2024, esse plano de ação representa um compromisso global renovado e fortalecido para apoiar as aspirações de desenvolvimento dos PMA.

Quatro prioridades para o progresso

O secretário-geral delineou quatro prioridades principais:

1. Acelerar a Diversificação Econômica e a Transformação Digital

• Investir em indústrias de valor agregado, inovação local e crescimento inclusivo.

• Reduzir a exclusão digital para desbloquear IA, comércio eletrônico e logística inteligente.

2. Fortalecer o Comércio, o Trânsito e a Conectividade Regional

• Atualizar a infraestrutura e simplificar procedimentos transfronteiriços.

• Integrar os PMA nas cadeias globais de valor e reformar os sistemas comerciais.

3. Promover a Ação Climática e a Resiliência

• Dobrar o financiamento da adaptação e construir infraestrutura resiliente ao clima.

• Apoiar os PMA em transições verdes com tecnologia e parcerias.

4. Mobilizar Financiamento e Parcerias

• Reformar os sistemas financeiros globais para garantir financiamento justo e acessível.

• Ampliar o financiamento concessional e desbloquear o investimento climático rapidamente.

Em declarações a repórteres posteriormente, Guterres enfatizou que a conferência reflete uma nova era de cooperação que está se formando em toda a Ásia Central – uma era baseada na confiança mútua, prioridades compartilhadas e crescente solidariedade regional.

“Em um momento em que a cooperação multilateral está sendo testada, esse espírito de parceria é mais essencial do que nunca”, afirmou.

Nesta quarta-feira, o LLDC3 continua com mesas redondas e eventos sobre diversos tópicos, incluindo conectividade e transporte, cooperação Sul-Sul, engajamento juvenil e outros temas.

*Enviada especial a Awaza, Turcomenistão

Fonte ONU

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