Justiça determina prisão de suspeita de torturar jovem no litoral de SP

Elisângela Fernandes Maciel, de 22 anos, já é considerada foragida.
Pedido de prisão temporária prevê detenção por 30 dias.

Após a prisão, nesta terça-feira (7), de Jackeline Justino de Souza, de 21 anos,suposta cúmplice no sequestro e tortura de uma adolescente em Praia Grande, no litoral de São Paulo, a polícia concentra as suas atenções na busca por Elisângela Fernandes Maciel, de 22 anos, principal suspeita das agressões. Com o mandado de prisão temporária já expedido, Elisângela é considerada oficialmente foragida da Justiça. Ela supostamente cometeu o crime porque a jovem teria tido um envolvimento amoroso com o seu namorado. O vídeo das agressões teve grande repercussão na internet.

A delegada Rosemar Cardoso Fernandes, responsável pela investigação, conta que a polícia tem feito uma série de contatos visando se aproximar do exato paradeiro de Elisângela. “Estamos à procura dela, em razão do mandado. Nós encontramos familiares dela e falamos com o pai, que diz não saber onde está a filha. Mas com esse mandado temporário, válido por 30 dias, ela já é considerada foragida”, diz.

Na tarde desta terça-feira, a mãe de Elisângela também esteve na Delegacia da Mulher para prestar novos esclarecimentos. Segundo a delegada, tanto Elisângela quanto Jackeline irão responder por quatro crimes: “Elas vão ser indiciadas por sequestro, cárcere privado, tortura e roubo. O telefone celular da vítima serviu para que elas gravassem as agressões e, depois, foi roubado”, relata.

Antes da prisão da suposta cúmplice, os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão nas residências de Elisângela e Jackeline. O objetivo era encontrar o telefone celular da jovem. “Nós efetuamos diligências e encontramos dois aparelhos, sendo que um deles era de uma das agressoras, mas não o da vítima. Além disso, não havia mais nenhum equipamento que possa ser ligado ao crime. Em seguida, a prisão delas foi decretada”, comenta Rosemar.

Por fim, a delegada explica qual foi a participação de Jackeline Justino no episódio. “Ela gravou o vídeo e teve participação total no caso. Ela presenciou as agressões. A Jackeline torturou psicologicamente a vítima, mas não a agrediu fisicamente. Atendendo a um pedido da amiga, ela fez isso e vai responder pelas quatro qualificações que nós apresentamos”, encerra.

Suspeita é detida
Jackeline Justino de Souza, suspeita de ser cúmplice na tortura contra a adolescente, foi presa no fim da tarde desta terça-feira. A jovem foi encaminhada para o 2º Distrito Policial (DP) de São Vicente.

Jackeline contou a sua versão do episódio. “Eu cheguei lá e já estava acontecendo tudo. Pedi para parar. Eu não xinguei a vítima, falei para ela falar o que a Elisângela queria. Ela me pediu para não deixar matá-la, mas a Elisângela não parava. Eu até cheguei a tirar o capacete da mão dela. Eu não sei o que ela estava pensando exatamente. Ela estava muito fora de si”, afirma.

A suposta cúmplice destaca que a agressora pediu para filmar as agressões, mas que a vítima adotou o mesmo expediente, com receio de que algo pior pudesse lhe acontecer. “Teve uma hora que a Elisângela foi na cozinha e a vítima pediu para eu gravar. Eu não tinha como pedir ajuda, pois o apartamento estava trancado. Eu insisti com a Elisângela que parasse, que a vítima poderia morrer. Foi quando ela parou e a mandou ir embora”, comenta.

Preocupada com a repercussão do assunto, Jackeline, que havia se declarado arrependida em uma rede social, relata as ameaças sofridas nos últimos dias. “Eu tinha medo de machucarem o meu filho, que tem dois anos. Muita gente falou que eu ia saber o que era dor, que iriam machucar o meu filho na minha frente. Estou angustiada. Eu não sou um monstro. Sinto medo”, finaliza.

A suspeita já havia respondido a um outro Boletim de Ocorrência por agressão. Curiosamente, Elisângela também estava nesse episódio, registrado em Guarujá, também no litoral paulista.

A defesa de Jackeline irá entrar com um recurso de proteção especial para ela, por conta das supostas ameaças recebidas. A advogada da suspeita ainda deverá entrar com um pedido reivindicando a revogação da prisão temporária de sua cliente.

Novo depoimento da vítima
A adolescente sequestrada e torturada compareceu na tarde desta terça-feira à Delegacia da Mulher da cidade para prestar novos esclarecimentos. Ainda abalada com o episódio, a adolescente, que na semana passada conversou com o G1, optou por não falar com a imprensa. O advogado Wilson Barbosa de Oliveira, que a acompanhou no depoimento, falou sobre o teor das declarações da vítima para a polícia.

Segundo o advogado, a jovem esclareceu alguns pontos divergentes entre os depoimentos colhidos até o momento. “A delegada requisitou a nossa presença, para que fizéssemos o complemento do depoimento da minha cliente. Surgiram dúvidas em algumas partes e fizemos um aditamento ao depoimento, pois alguns pontos eram controversos e era necessário esse esclarecimento, para que se possa precisar a participação de cada suspeito no episódio”, diz.

Barbosa ainda irá recolher o prontuário médico do atendimento dado à vítima, horas depois das agressões, para que seja anexado ao inquérito. “Vim verificar a situação e estou saindo com um ofício para pegar o prontuário médico do dia em que ela passou no hospital. Acredito que, durante a semana, devemos ter novidades”, conclui.

Suspeita de participação depõe
Uma das supostas cúmplices do sequestro e tortura da adolescente se apresentou na sexta-feira (3) na Delegacia da Mulher de Praia Grande. Segundo o advogado da jovem, identificada até o momento apenas como Isabel, ela nega ter participado das agressões.

Assim que saiu da delegacia, a jovem conversou rapidamente com a imprensa. “Não participei. Eu não estava na casa durante a tortura. Não tenho nada a ver com isso. Sou inocente. Sou contra qualquer tipo de violência”, disse.

Acompanhada do marido e de outros familiares, a suposta ajudante de Elisângela cobriu o rosto com um agasalho, tampando todo o seu rosto, ao chegar para explicar a sua versão dos fatos. Segundo o advogado Pedro Humberto Furlan Junior, a sua cliente afirma que apenas deu carona para a adolescente e a deixou na casa de Elisângela. Ela nega ter presenciado a tortura. “Ela não tem nenhuma participação ou co-autoria nesse episódio. Atendendo ao pedido da Elisângela, ela deu uma carona e a levou para conversar com o ‘Bolinho’. Ela foi deixada na casa e foi embora. Não presenciou as agressões”, diz.

De acordo com o advogado, Isabel foi fazer compras após a carona para a vítima. “Ela foi para outro lugar, passou no mercado, na padaria e no posto de combustíveis. A minha cliente abasteceu o carro com o cartão de crédito”, afirma. Furlan Júnior ainda destaca que a sua cliente não tinha proximidade com a vítima.

A delegada Rosemar Cardoso Fernandes explica que a versão apresentada pela jovem condiz com o que foi apresentado pela vítima. “Foi um depoimento muito importante, pois esclareceu a versão da suposta agressora. A história confere com as declarações da vítima sobre a condução até a casa. A agressora pediu para que Isabel levasse a vítima até a casa para que elas conversassem. A testemunha deixou a jovem no local e foi embora. Ela não sabia da existência de uma terceira pessoa na casa. Só duas ou três horas depois ela encontrou a vítima, quando passava pelo local, de carro. A jovem estava toda ensanguentada e chorando muito. Foi nesse momento que a vítima contou que havia sido torturada”, conta.

Elisângela deixou o litoral paulista e ainda segue sem ter o seu paradeiro exato definido. Informações obtidas pelo G1 apontam que a jovem teria fugido para o Paraná. A delegada Rosemar Cardoso Fernandes espera pela apresentação espontânea da suspeita de agressão, uma vez que a mãe dela, que já prestou depoimento, recebeu a intimação e se comprometeu a ajudar a investigação policial.

Pivô prestou depoimento sobre caso
Pivô do sequestro e tortura supostamente cometidos por Elisângela, Diego da Silva Santos, o “Bolinho”, prestou depoimento na quinta-feira (2) na Delegacia da Mulher do município. O jovem alegou que não sabia das agressões sofridas pela vítima.

De acordo com o seu relato à Polícia Civil, “Bolinho” tomou conhecimento do assunto depois da repercussão na imprensa. “Ele não sabia o que havia acontecido. O meu cliente só ficou sabendo do ocorrido após a divulgação do vídeo na imprensa”, explica a advogada do rapaz, Tatiana Borges Mafra.

Sobre a possibilidade dele ter sido contatado pela suspeita no dia do episódio, para avisar que a menor estava na sua residência, conforme está registrado no Boletim de Ocorrência do caso, “Bolinho” negou essa hipótese. “Ele diz que não tinha contato com a Elisângela desde que eles terminaram o relacionamento, no final de agosto. Segundo ele, não há nenhuma ligação da Elisângela nesse dia”, relata a delegada Rosemar.

Ainda durante o seu depoimento, o ex-namorado de Elisângela negou que conhecia as demais participantes da tortura contra a adolescente.

Desabafo
Nas redes sociais, uma das supostas cúmplices da agressão à adolescente, Jackeline Justino de Souza, demonstrou arrependimento pelo seu envolvimento na tortura. Ela seria a responsável por filmar a ação (leia ao lado).

Abaixo do desabafo da cúmplice, algumas amigas mostraram apoiar a jovem. “Estou orando por vc (sic)… Te amo amiga, tudo vai acabar bem. Confia em Deus e se apegue muito a Ele nesse momento… Tenha fé q (sic) isso tudo não passará de um pesadelo. Vc (sic) se arrependeu e é isso oq (sic) importa. Deus está contigo, não duvide disso”, escreveu uma amiga. “Minha best friend, só quem te conhece sabe a pessoa maravilhosa que vc e (sic), com um coração enorme. Tenha fé em Deus que tudo vai se resolver”, completa outra pessoa.

Depoimento deve apontar responsabilidades
Segundo a delegada Rosemar Cardoso Fernandes, o depoimento de Elisângela será crucial para que se aponte com precisão o teor da participação de uma das duas cúmplices no crime.

Os procedimentos necessários para o inquérito já foram realizados pela vítima. Por isso, seu advogado, Wilson Barbosa, espera pelos próximos passos da investigação policial. “Todas as providências foram tomadas, desde a elaboração do Boletim de Ocorrência até o exame de corpo de delito. Fizemos tudo e agora as autoridades vão realizar os procedimentos cabíveis. Confiamos no trabaho da polícia e acreditamos que ela vai conduzir tudo da melhor maneira possível, com rapidez”, conclui.

Histórico
A adolescente de 17 anos que foi sequestrada, torturada e espancada por outra jovem que suspeitava de uma traição do marido falou pela primeira vez, no dia 30 de setembro, sobre as agressões que sofreu. Em entrevista ao G1, a vítima, que prefere não ser identificada, admitiu ter namorado o pivô da confusão (marido da acusada). Porém, ela afirma que nunca se relacionou com ele enquanto o rapaz estava com a outra. Além das cicatrizes causadas por queimaduras de cigarro, a adolescente sofreu uma deformação no crânio. Ela conta também que tem evitado sair de casa (assista acima o relato da vítima sobre o crime).

Quase um mês após o caso, a adolescente resolveu buscar ajuda da polícia. “Ela não tem que fazer isso com ninguém. Não tem preço o que ela fez. Ela tem que amargar na cadeia, que é o lugar dela”, afirma a vítima. A jovem registrou um boletim de ocorrência somente no dia 30, por medo de represálias. Na companhia do advogado Wilson Barbosa e da mãe, ela prestou depoimento na Delegacia da Mulher de Praia Grande.

O relato da vítima
A jovem relata que conheceu o rapaz em uma casa noturna. Eles começaram a sair juntos e namoraram durante um ano. Após o término do namoro, em maio, a vítima diz que apenas conversava com o ex por telefone. “Ele começou a ficar com ela. Passou uma semana e ele já foi morar com a garota. Aí passou um mês, ele começou a me ligar, a me procurar. Ela descobriu, começou a me xingar no Facebook, falar que eu era ‘talarica’, que ela ia me pegar, que eu era safada”,

A vítima conta que o rapaz acabou terminando o namoro. “Ela pegou e ficou com raiva. Pensou que era por minha causa. Tentou cortar os pulsos, se matar por causa dele. Aí foi até a casa da minha avó. Ela e mais duas amigas foram atrás de mim e falaram que iam me levar até ele. Eu, inocente, acreditei e fui”, conta. Ela foi levada para a casa da agressora, que trancou as portas e, na companhia de outras duas amigas, torturou a adolescente, segundo a polícia.

De acordo com a vítima, a agressora bateu em sua cabeça com uma panela de pressão e um capacete. “Ela fez eu tirar a minha roupa. Jogou vinagre e sal nas minhas partes íntimas. Me fez passar pano na casa dela, me deu chute na cara. Jogou a minha cara na parede, me jogou no chão. Ela me queimou com cigarro”, relata. A jovem acrescenta que agressora pedia para que ela confessasse a traição e a xingava de “safada e vagabunda”, além de ameaçar ela e sua família. “Foi péssimo. Eu nem sei o que eu senti. Me senti sem vida”, diz.

Repercussão de vídeo da agressão
Uma das jovens que estava na casa gravou toda a ação. O vídeo foi postado em uma rede social e o caso repercutiu na internet. Com a propagação do vídeo, a vítima sentiu as consequências na própria rotina. “Não consigo mais trabalhar. Os outros ficam me olhando na rua como se eu tivesse ficado com o marido dela, como se eu fosse a talarica, como ela diz. Tudo o que ela falou lá é exatamente o que eu não sou. Eu não sou nada disso”, afirma.

Após a agressão, uma das jovens que estava no local levou a vítima até a casa da avó, onde ela pediu ajuda aos familiares. A mãe da vítima, a funcionária pública Rosemeire Aparecida de Souza, conta que a filha chegou em casa “deformada”. “Eu vi como ela estava deformada. Fiquei pensando no psicológico dela, na tortura que ela passou. Ela foi muito torturada. Foi muito difícil para mim. No momento, o que eu pensava era em cuidar da minha filha”, conta.

A menina precisou ser internada por causa dos ferimentos na cabeça e das marcas, espalhadas, principalmente, pelo rosto e braços. Rosemeire afirma que a filha já estava sendo perseguida pela agressora antes do episódio. “Ela já tinha postado [na internet] que ia pegar a minha filha e que ia postar um vídeo”, falou. Ela, assim como a filha, não conhecia a torturadora, apenas o ex-namorado. Para ela, o garoto ainda tinha sentimentos pela filha dela e esse foi o motivo da revolta da agressora.

Agressão veio à tona
O vídeo que mostra a jovem torturando a menor de idade foi publicado em uma rede social, no dia 29 de setembro, por amigos da agressora. Antes de ser removido por violar os termos de uso do Facebook, a postagem acumulou, em menos de cinco horas, mais de 50 mil compartilhamentos.

Na gravação, que tem pouco mais de um minuto, a vítima já aparece com vários ferimentos no rosto. Durante a gravação, a agressora chega a apagar, em duas oportunidades, um cigarro no rosto da menor, que é obrigada a confessar que teria saído com o marido dela enquanto leva vários socos e tapas. O vídeo contém imagens fortes.

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