Entrevista concedida pela Dra. Renata Malta Vilas-Bôas, pré-candidata à vice-presidência da OAB/DF, pelo Movimento OAB para todos

Foto: Flávio Carques de Araújo

Foto: Flávio Carques de Araújo

Esse ano temos uma coincidência de período eleitoral, além das eleições nacionais, temos a eleição pelos cargos diretivos da OAB. E no Distrito Federal já apareceram três movimentos para disputar a eleição. Temos a situação liderada pelo Dr. Jacques Veloso, atual Secretário-Geral, temos um movimento composto pela Dra. Daniela Teixeira, Vice-Presidente da OAB/DF licenciada, e o terceiro movimento em que o pré-candidato à presidência é o Dr. Max Telesca e a pré-candidata à vice-presidência é a Dra. Renata Malta Vilas-Bôas que nos concede essa entrevista.

 

Como é a Renata Advogada, como descobriu que essa seria a sua vocação?

Renata, a advogada, foi nascendo aos poucos, um pouco pela indignação, um pouco por reconhecer que somos instrumentos de mudança e renovação, um pouco por acreditar na justiça.

Quando fui fazer vestibular no final dos anos 80, não tinha certeza do que queria fazer, tanto é que fiz para matemática, engenharia e direito. Uma em cada faculdade. Passei em todas.

Comecei a fazer matemática e depois de um ano resolvi fazer outro vestibular para direito, pois descobri que não tinha a compreensão da geometria espacial.

Um dos meus professores – Dr. Egmont, hoje desembargador do TJDFT, recomendou que eu fizesse estágio em todas as áreas (Ministério Público, Judiciário, advocacia, etc.) e assim pudesse ver em qual delas eu me sentia mais confortável. E assim eu fiz.

E com isso pude perceber que a advocacia e a construção das teses e argumentações eram o espaço que eu mais gostava. Levar as ideias e defender as pessoas, por acreditar em seu direito, era o lugar em que eu mais ficava feliz e confortável.

E assim, foi o início. Hoje tenho o meu próprio escritório em sociedade com Dra. Susana Spencer Bruno.

 

Conte-nos um pouco da sua trajetória pessoal e profissional?

Comecei pela advocacia e pela sala de aula. Assim, a docência sempre esteve presente em minha vida, e já se vão mais de 20 anos.

A luta na advocacia é diária, o cliente não compreende o ritmo do Judiciário que por sua vez também não compreende a premência do jurisdicionado.

A atualização deve ser constante, pois as alterações legislativas não param, e além disso temos que estar atentos à jurisprudência dos Tribunais e às novas teses doutrinárias.

Ou seja, a vida do advogado é uma correria constante. Uma alta carga de adrenalina. E isso sem contar, às vezes, em que somos pegos com uma decisão que vai contra os interesses dos nossos clientes, mesmo sabendo que estamos com o bom direito.

E ainda cumpre destacar que a advocacia também tem um lado de solidão. Quando estamos concentrados compondo as nossas teses, as nossas peças, esse caminhar é sozinho.

Além disso, é necessário acompanhar as inovações tecnológicas, PJE em destaque, sendo que cada tribunal tem o seu próprio entendimento e estrutura.

E percebi que muitos colegas, estão cada vez mais sozinhos e isolados. Sejam eles os jovens advogados – porque estão começando e não sabem nem por onde começar – ou os advogados não tão jovem assim que estão na labuta diária e não encontram um espaço para dividir as suas dores e angústias.

Percebi que estamos cada dia mais sozinhos.

 

Interessante quando você fala do sentimento que teve com relação aos colegas de profissão, o que você acredita que deveria ser diferente?

O primeiro passo é reconhecer esses profissionais como de excelência. A advocacia é função essencial à justiça e indispensável a mesma. Precisamos reconhecer isso. Sem o advogado, tudo para.

O segundo passo é trazer esses profissionais para o centro das relações, para que eles deixem de estar sozinhos, de se sentirem sozinhos. Hoje faz-se necessário o empoderamento dos colegas.

 

Diante dessas excelentes ideias, como então você se vê ajudando a classe?

Para dar efetividade a essas ideias precisamos trabalhar as prerrogativas sob diversos ângulos.

Para o jovem advogado podemos tratar de demonstrar como as prerrogativas devem ser respeitadas. E para a jovem advogada, precisamos de empoderá-las para que elas sejam respeitadas como profissional, e não vistas apenas pela sua beleza e juventude.

O advogado experiente pode nos ajudar a mapear aquelas pessoas que maculam as prerrogativas para que possamos a começar a falar em reeducação para alguns e até mesmo, em grau máximo, que essa pessoa deixe de pertencer aos quadros públicos, trabalhando assim, em um projeto de lei que venha a prever a criminalização pelo desrespeito das prerrogativas.

O que todos precisam entender é que as prerrogativas não protegem o advogado, enquanto pessoa, elas protegem é o jurisdicionado. É o jurisdicionado que é ofendido quando as prerrogativas são ofendidas.

 

 É possível mudar o perfil de uma profissão?

 Acredito que estamos passando por um período que requer renovação, que requer novas soluções, para problemas antigos.

Não adianta fazer tudo igual porque o resultado será igual. É preciso percorrer um caminho diferente, para obter um resultado diferente.

Não estou sozinha em acreditar nesse sonho, por isso é possível.

 

Um cargo eletivo exige muitas responsabilidades, você se vê preparada?

Foto: Flávio Carques de Araújo

Foto: Flávio Carques de Araújo

 Sim. A responsabilidade que o cargo reflete é o sonho de todos os advogados e advogadas que votaram. E esse sonho precisa ser concretizado. Simples assim.

Quando fiz matemática uma recomendação que tínhamos dos professores é que a solução normalmente era fácil, só precisava olhar pelo ângulo certo. E essa é uma lição que levo para a vida.

O que se busca é o respeito pela profissão e o acesso ao mercado de trabalho que hoje é para poucos.

E tanto para um e para o outro temos soluções, simples, porém, eficazes.

As nossas propostas são baseadas nas demandas dos advogados e advogadas do Distrito Federal e para isso o Dr. Max Telesca, nosso pré-candidato à presidência, passou os últimos meses ouvindo os anseios dos nossos colegas.

E essas propostas refletem a necessidade de resgatar, incluir, renovar e inovar, que são os quatros pilares do movimento, que é o resumo de tudo que ouvimos.

 

Como você disse no início de nossa entrevista, já são longos anos ministrando aulas, será que o sonho que eles tinham ao se graduarem na faculdade se realizou? O que você teria a dizer para seus ex-alunos e agora colegas de profissão?

Nunca desista do seu sonho. Só tenha certeza de que esse é o seu sonho e é exatamente isso que você deseja. Mas, o sonho precisa também de ação. Crie um plano de ação para concretizar o seu sonho.

Não basta sonhar com o resultado final, é preciso construir o caminho para chegar a esse resultado final, e conte com pessoas que estão ao seu lado para caminhar juntos para chegar ao seu sucesso.

Todos podemos e somos capazes de atingir esse sucesso, só depende do nosso percurso, de nossas escolhas.

 

Deixe um recado como você vê o futuro da advocacia no Brasil e em especial no DF

 A fala é simples, precisamos mudar, a advocacia que conheci a 20 anos já não é mais a mesma, os advogados e advogadas já não são mais os mesmo, assim, ou nos redescobrimos inovando e nos resgatamos, ou então iremos ficar na mesmice, que já sabemos que não irá nos levar a mais nenhum lugar.

A palavra de ordem é mudança, para podemos evoluir, mas sem perder ninguém nesse processo. Por isso a inclusão é importante.

 

Agradecemos a participação, temos certeza que os leitores do Jornal Estado de Direito se sentem privilegiados de conhecer um pouco da sua trajetória e propósitos para a advocacia!

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