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Desnutrição infantil em Gaza é “absolutamente chocante”, diz coordenador humanitário

O coordenador humanitário interino da ONU para os Territórios Palestinos testemunhou como a insegurança alimentar e a desnutrição estão “atingindo duramente” a população palestina. Ele apelou a Israel para reverter o fornecimento “precário” e “intermitente” de comida em Gaza. 

Em entrevista para a ONU News, Jamie McGoldrick, comentou a decisão tomada pelas autoridades israelenses no domingo, que impede a Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, de seguir entregando ajuda alimentar no norte do enclave.

Abertura de todas as rotas

O especialista afirmou que “qualquer interrupção no fornecimento de alimentos, que já é muito frágil, é uma atitude errada”. Segundo ele, as Nações Unidas têm “sorte” quando consegue receber de 10 a 15 caminhões em Gaza em um período de dois dias.

McGoldrick ressaltou que no momento as entregas de ajuda no norte do enclave são feitas por poucas organizações, incluindo o Programa Mundial de Alimentos, PMA, a ONG World Central Kitchens e a Unrwa, responsável pela maior parte. 

Ele disse estar empenhado em abrir “todas as rotas rodoviárias de norte a sul ou de sul a norte” e trazer mais caminhões para garantir que o abastecimento esteja disponível. 

O coordenador humanitário afirmou que não se importa com qual organização traz a comida e sim em receber mais alimentos do que a quantidade atual.

Uma mulher e seu filho se protegem da chuva na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza

Unicef/Eyad El Baba

Uma mulher e seu filho se protegem da chuva na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza

Enfermaria infantil em estado “chocante”

Em visita ao norte da Faixa de Gaza na semana passada, ele viu diretamente o impacto da falta de abastecimento de alimentos nas crianças do hospital Kamal Adwan.

Segundo McGoldrick, visitar a enfermaria infantil é “absolutamente chocante”, pois todas as crianças têm deficiências nutricionais. Ele disse que muitas delas passaram por complicações, como hepatite A ou infecções intestinais, e tudo isso “enfraqueceu o sistema imunológico”. Na enfermaria neonatal não existem incubadoras suficientes para todos os bebês. 

O especialista mencionou planos para retirar do hospital uma criança com um tumor cerebral e outra com fibrose cística e levá-las para o sul, depois para o Cairo para ofertar o tratamento de que necessitam. 

Incursão em Rafah pode “quebrar” resposta humanitária

Ele afirmou que caso a resolução aprovada nesta segunda-feira pelo Conselho de Segurança resulte em um cessar-fogo, seria possível transportar mercadorias com segurança, e não haveria necessidade de sistemas de inspeção que causam atrasos por serem “repetitivos, imprevisíveis e burocráticos”.

Analisando a situação no sul de Gaza, McGoldrick disse que se houver uma incursão na cidade de Rafah, a resposta humanitária da ONU seria “quebrada”. 

Devido às enormes restrições e obstáculos gerados pelo conflito, ele disse que não foi possível pré-posicionar alimentos e água no local. Por isso, se as pessoas forem forçadas a se deslocar, não será possível lidar com o fluxo, que o especialista estima em 500 a 900 mil pessoas.

“Neste momento estamos num modo de planejamento de contingência para enfrentar a atual catástrofe humanitária, e caso isso seja duplicado, com pessoas forçadas a se deslocar, nós simplesmente não seríamos capazes de responder”, disse ele. 

Fonte Rádio ONU

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