Voluntariado e Direitos Humanos

Coluna (Re)pensando os Direitos Humanos, por Ralph Schibelbein, articulista do Jornal Estado de Direito.

 

        Há pessoas que desempenham tarefas que buscam interferir positivamente na vida dos outros. Através de diferentes formas, com as mais variadas atividades, o que elas guardam em comum é a solidariedade, o desejo de ver um mundo melhor e o ato nobre de fazer tudo isso sem esperar algo em troca. Mas quem atua em prol do bem comum, recebe seu pagamento em sorrisos, histórias, abraços, emoções, gratidão e sensação de estar exercendo seu papel de cidadão.

        Ser voluntário é não só acreditar na mudança para um mundo melhor, mas fazer parte dela. Como dizia Ghandi, ser a mudança que quer ver no mundo. Costumo dizer que o voluntariado passa a ser involuntariado depois de iniciarmos na atividade, pois é realmente impossível parar a corrente do bem. Utilizando-me da frase de Raul Seixas, posso dizer que o ápice do egoísmo é querer ajudar. Ou seja, na fala dos voluntários vocês sempre ouvirão que os maiores beneficiados são eles mesmos. Saímos mais fortes e sensíveis, cuidando da gente e do outro, mudando a si e o entorno e sem dúvidas com um olhar mais humanos perante a sociedade.

        O voluntariado, que é diferente do assistencialismo pontual, se coloca como um processo que contribui com a democracia. Salientamos a importância de uma assistência pontual, especialmente em momentos delicados como o que estamos passando com a pandemia do COVID19, mas o exercício do voluntariado deve ser uma prática cotidiana onde exercemos a cidadania e buscamos agir de acordo com nossa crença, rumo a uma sociedade mais igualitária, justa, solidária e que prevaleça o direito a dignidade humana de todos.

        Você que participa de um grupo, realiza ações esporádicas ou até mesmo utiliza o voluntariado com estilo de vida, meus mais sinceros parabéns e muito obrigado. Aos que ainda não tiveram a oportunidade de ingressar nesse caminho, meu convite. Por que não cria um grupo na sua empresa? Que tal chamar o pessoal da sua escola? Fazer algo com sua família ou entre os vizinhos?

        Podemos ainda procurar algum dos vários grupos existentes e atuantes no nosso estado. Ou iniciar/aprofundar as ações individuais. O importante é se mexer. Escolha a(s) causas e junte-se a esse time. Contamos com você nessa microrevolução cotidiana. Aproveite o mês do voluntariado, utilize sua aptidão profissional, artística, seu hobbie e principalmente sua humanidade. Voluntarie-se você também.

        No Brasil, pesquisas indicam que a prática do trabalho voluntário é muito pequena. Claro que podemos levar em conta questões de precariedade de muitos trabalhos e das dificuldades de grande parte dos trabalhadores quanto a verba e tempo. Mas de toda a forma, é um dado que pode ser refletido na baixa participação democrática ou cidadã no nosso país.

        Os Direitos Humanos, os quais se fazem mais no dia a dia do que na escrita de documentos oficiais, começam dentro da nossa casa. Nos nossos discursos presenciais e virtuais, nas nossas atitudes no trabalho e nas relações com os vizinhos. O voluntariado é uma possibilidade para você contribuir com o coletivo e construir o bem comum. Temos a CUFA (Central Única das Favelas), o Vida Urgente, a Parceiros Voluntários, o Direito no cárcere e muitos outros grupos atuando nesse sentido. Deixarei a recomendação de alguns exemplos em que atuo e que podem estimulá-lo a querer auxiliar.

        A ONG Cirandar em pouco mais de 10 anos atendeu mais de 30 mil jovens em ações de promoção da leitura e educação; auxiliou 60 comunidades com mais de 50 mil livros emprestados. Nesse tempo já fez parceria com 30 escolas, 20 organizações públicas e 45 organizações privadas parceiras. Através da leitura, de saraus e mesclando ação social com educação e arte mais de 400 voluntários contribuíram com ações.

        O Cursinho popular pré-vestibular Emancipa de Gravataí inicia os trabalhos em 2018. Desde então vem auxiliando na aprovação de estudantes de baixa renda, colaborando com o início de uma nova etapa universitária e fomentando uma oportunidade de mudança social. Atualmente em função da pandemia, estamos com aulas virtuais por plataforma digital para mais de 50 alunos (as). Tem interesse em contribuir de alguma forma?

        A rede Marista conta com voluntariado que atua em diferentes regiões do Rio Grande do Sul, na Amazônia e fora do país. Detalhes podem ser encontrados em cada colégio, na PUCRS ou no site da rede. Em Viamão, um dos grupos mais representativos atua há 7 anos com a comunidade mais vulnerável, auxiliando instituições, escola indígena e refugiados. Há instituições na Zona Norte até Zona Sul de Porto Alegre que estão esperando por você.

        Sentiu vontade de auxiliar de alguma forma? Há inúmeras oportunidades te esperando. Qualquer dúvida ou interesse em alguma dessas instituições, pode entrar em contato comigo.

 *Ralph Schibelbein é Professor, Mestre em Educação (UDE/ UI – Montevidéu- 2016), onde estudou a relação da educação e dos Direitos Humanos com o processo de (re)socialização. Pós-Graduado em História, Comunicação e Memória do Brasil pela Universidade Feevale (2010), sendo especialista em cultura, arte e identidade brasileira. Possui licenciatura plena em História pelo Centro Universitário Metodista IPA (2008) e pela mesma faculdade é graduado também em Ciências Sociais (2019). Atualmente é Mestrando em Direitos Humanos na Uniritter e cursa licenciatura em Letras/Literatura (IPA). 

 

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