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O Iberê que vem da prisão

        Vinte e sete adolescentes, masculinos e femininos, com prisão total na Fase (CSE e CASEF) e alunos da Escola Tom Jobim, se debruçaram sobre a vida e obra de Iberê Camargo durante seis meses nas oficinas do Artinclusão. O resultado são trinta e duas telas em acrílica, que poderão ser conferidas na exposição “Iberê Camargo: Vidas Compartilhadas – Releituras”, no Memorial do MP – Pç. da Matriz, 110, com abertura marcada para 11/08, às 15:30h, com a apresentação “Iberê Fusion Didático” – prosa, poesia, música e artes plásticas, no qual participam dois ex-apenados da PEJ (Penitenciária Estadual do Jacuí).


O Iberê que vem da prisão 

      Estes adolescentes, de perfis agravados e reincidentes, possuem em comum com o referido artista tragédias semelhantes: Iberê matou um homem em 1980, foi preso por um mês, comprovou legítima defesa e solto. Buscou em sua obra suporte para desenvolver sua resiliência  e ela passa a ter: “…opressiva dramaticidade… a solidão, o abandono e a morte… uma densa atmosfera narrativa…” – Mônica Zielinsky. O propósito de tal encontro artístico é de que este artista possa compartilhar com esses adolescentes também sua vitória, pois a partir deste fato projetou para o mundo uma obra ímpar no cenário nacional, uma reflexão profunda sobre a condição da vulnerabilidade humana. Estar dentro ou fora das grades físicas é uma circunstância. Para ele somos todos prisioneiros de grades invisíveis, na busca de coisas aparentes, superficiais, materiais, do ter. O vazio existencial de seus “ciclistas”, suas “idiotas” esperam a morte, seus “carretéis” ficam disformes, em “fantasmagorias” aponta as vísceras como essência, enfim seus personagens compondo o mosaico de sua crítica pessoal e social.

        As releituras vão surpreender! Umas se refugiam na cor, outras trouxeram sangue em cruz, carretel amordaçando boneca, ciclista grávida e tantos outros símbolos para nossa reflexão sobre a vida desses adolescentes e de como auxiliá-los em suas inserções sociais. Artinclusão: profissionalização, geração de renda e cidadania a partir do fazer artístico. Todas as obras poderão ser comercializadas com renda integral para seus autores. Entrada franca. Visitação até 31.08, das 8:30h às 18h.

        Maiores informações: 9986.6250 com Aloizio Pedersen – Idealizador e executor do Projeto Artinclusão.

        Em tempo: Este projeto será apresentado: – no Encontro Nacional da CNTE (12,13,14/8 – Brasília) – II Seminário Internacional de Pesquisa em Prisão/Petrópolis (29.8): Associação de Psiquiatria/RS (setembro), Ufrgs (novembro).


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