O avanço do Crack

Artigo veiculado na 26ª edição do Jornal Estado de Direito, ano IV, 2010.

 

Osmar de Moraes*

Ele chegou sorrateiramente, foi se instalando na periferia e demais partes da cidade, escravi­zando pessoas, destruindo lares; transformando o cotidiano de alguns num inferno jamais visto; atualmente já é a droga mais consumida entre crianças, jovens e adultos.

Cenas antes nunca vistas começamos a vivenciar pela imprensa; famílias acorrentando filhos para não os perderem para a violência que o Crack proporciona.

O Crack é uma droga DEVASTADORA, produzi­do a base do lixo da extração da Pasta Base da Cocaína (Cloridrato de Cocaína), que para ser conseguido facilmente, alguns traficantes utilizam Cimento e Cal (para agregar as folhas e dar volume à substância), Gasolina Pura (como sai das refinarias e se desta forma for colocado no motor de um automóvel brasileiro, causa sérios danos), Amônia (substância utilizada em refrigeração e na produção de fertilizantes como Uréia); Soda Caustica (anti corrosivo que usamos mui­tas vezes para desentupir pias e ralos, também utilizada por indústrias coureiras) também tem outras séries de aplicações; Ácido Muriático usado na Metalurgia e limpeza de paredes prediais) e Ácido Sulfúrico (usado em Baterias de Automóveis), que todos sabemos o quão corrosivos que são.

Imagine tudo isso no organismo de uma pessoa; pois os usuários de Crack inalam todas essas substâncias que ao fumarem essa droga, colocam para dentro de seus organismos esses produtos que fazem parte da produção da Pedra.

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Os efeitos são devastadores: queima dos lábios e da garganta, perda de peso (perde de 3 a 6 kilos no primeiro mês); a sensação de euforia dura de 10 a 15 minutos. A excitação é substituída por violenta depressão, insônia, desorientação e instabilidade emo­cional. Em relação à saúde provoca ataques cardíacos, derrame cerebral, convulsão, problemas respiratórios, danos aos pulmões, desnutrição profunda; no fígado é Metabolizado, no Sistema Nervoso Central a droga age sobre os Neurônios superestimulando as ativida­des motoras e sensoriais, aumenta a pressão arterial e a freqüência cardíaca, através do alvéolos pulmonares entra em circulação e atinge o cérebro onde inter­rompe o ciclo da Dopamina (substância responsável pelo prazer) se distribui pelo organismo através da circulação sanguínea e posteriormente é eliminada pela urina, portanto atinge todos os órgãos vitais.

Quando o prazer acaba, o dependente de Crack sente um desejo incontrolável de sentir novamente o efeito do prazer, o que o leva a repetir a dose, quanto mais freqüente o individuo consome a droga, mais rapidamente se torna dependente, o que pode ocorrer já na primeira pedra.

A fissura pela droga

É à vontade irrestível de consumir a droga, o usuário se torna agressivo, violento, rouba e se prostitui; faz de tudo para comprar a PEDRA, em caso de resistência, agride a própria família. Quase não come ou dorme, a desnutrição é profunda. Se esquece de que existem horários e regras a cumprir, se torna um escravo do vicio; muitos se isolam e viram, mesmo que temporariamente, indigentes.

Os dependentes de Crack podem morrer principalmente de doenças relacionadas ao enfraquecimento do organismo, como tuberculose ou de infartos, entretanto a causa mais comum de óbito é pela exposição à violência (Furtos, Roubos e Assaltos).

O Rio Grande do Sul já possui mais de 50 mil usuários de Crack, autoridades da saúde afirmam que VIVEMOS UMA EPIDEMIA por causa dessa droga avassaladora, que chegou e precisa ser contida, ENTRE NESTE CAMPANHA.

 

* Agente Federal. Responsável pelo Grupo de Prevenção da Polícia Federal no Rio Grande do Sul.

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