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Justiça condena 17 envolvidos com tráfico

A Justiça de Fernandópolis condenou 17 pessoas por envolvimento em megaesquema de tráfico que se valia de pistas clandestinas no Noroeste paulista para trazer, por mês, cerca de 500 quilos de pasta base de cocaína, parte com destino à África e Europa. O grupo tinha um faturamento bruto mensal de R$ 5 milhões. As penas, por tráfico e associação ao tráfico, variam de 7 a 44 anos de prisão, todas em regime fechado. Cabe recurso.

Pelo esquema, a pasta base de cocaína vinha de Cáceres (MT), próxima à fronteira com a Bolívia, em aviões conduzidos por pilotos de garimpo. Descia em pistas na microrregião de Fernandópolis previamente combinadas. Roberto Naziro Correia, o Professor, era o chefe do grupo, responsável pela aquisição da droga na área de fronteira. A droga era então levada em automóveis até São Paulo e Sorocaba, escondida em compartimentos ocultos, sob a coordenação de Caio Rodrigo Rocha Garcia, de Cáceres, e Uelinton da Silva Melo, dono de uma lan house em Guarani d’Oeste, vizinha a Fernandópolis. Para abrir o esconderijo era necessário ligar o farol do veículo, dar ignição no motor e acionar um botão escondido debaixo do banco do motorista.

Ao longo de três meses de investigação, que se inciaram em agosto de 2011, a PF apreendeu quatro carregamentos de pasta base, totalizando 314 quilos. No primeiro deles, os policiais encontraram 66 quilos da droga escondidos em um automóvel em Paulo de Faria. Após esse flagrante, os aviões passaram a despejar a pasta base na zona rural de Bataiporã (MS), de onde iriam para a região de Rio Preto e em seguida à Capital. Em Mato Grosso do Sul, há três anos, foi feita a última apreensão da operação da PF, batizada de Colheita em alusão ao preparo das pistas de pouso no meio dos canaviais: 156 quilos. Antes, houve duas apreensões da droga em São Paulo.

Parte da droga era distribuída nas regiões de Rio Preto e Bauru e o restante seguia para a Capital, onde morava o principal comprador de cocaína do grupo, o congolês Jerome Leon Masamuna. De São Paulo, ele enviava a droga por meio de mulas em voos para a África e Europa. Jerome foi condenado a 9 anos de prisão por tráfico e associação, em ação penal na 4ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Em Fernandópolis, foi condenada sua mulher, a brasileira Viviane.

Na sentença, o juiz da 2ª Vara Criminal de Fernandópolis, Vinicius Castrequini Bufulin, afirmou que “a trama desvendada nos presentes autos é complexa” e defendeu a condenação da maioria dos réus. “Ficou comprovado que os réus (…) associaram-se para a prática reiterada do crime de tráfico de cocaína.” Além dos 17 condenados, o juiz determinou o perdimento em favor do Estado de 15 veículos, incluindo automóveis de luxo, como um Ford Fusion e dois Corollas. Três dos réus foram absolvidos por falta de provas, incluindo os apontados pelo Ministério Público como os responsáveis por preparar as pistas em meio aos canaviais.

Outro lado

O advogado Sérgio Augusto Alves de Assis, que defende seis dos réus, incluindo Uelinton, Caio e Adair José Belo, dono do sítio em Bataiporã onde a droga era estocada, disse ontem que irá recorrer ao Tribunal de Justiça. O mesmo informou o advogado de Evanildo Tessinari Correia, Henri Dias. O defensor de Naziro, Edilberto Pinato, afirmou que vai analisar a sentença para então decidir a medida que será adotada. Os advogados dos demais réus não foram localizados.

Fonte: http://www.diarioweb.com.br/

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