Como Star Wars explica a política

Coluna Democracia e Política

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Fonte: wikipedia

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O potencial rebelde

As comemorações pela passagem dos 40 anos de estreia de Star Wars estão passando distante da atualização de seu argumento político. Star Wars encaixa perfeitamente no imaginário dos movimentos sociais atuais porque enfatiza a necessidade de rebelião, ou pelo menos, o potencial rebelde, diz Cass S. Sunstein em O Mundo segundo Star Wars. “Só a ameaça de rebelião impede que muitos no poder façam certas coisas inomináveis”, diz seu criador George Lucas.

A crítica sempre apontou que o tema da saga envolve a política pelo valor dado a rebelião, a virtude da república e os vícios do império. O império rejeita a rebelião, quer a ordem “outra palavra para a ausência de escolha”, afirma Sunstein. Toda a saga é um libelo que afirma a importância de manter atenção no que fazem líderes políticos, que não devemos abrir mão da liberdade de escolha. O drama de Star Wars é o mesmo da política brasileira atual: encontrar um líder capaz de unir as pessoas e caminhar na direção do bem.

Quem é Michel Temer na saga? É claro que é o imperador Palpatine, porque ambos são ditadores, querem obrigar ao Congresso a aceitar seu conjunto de reformas, e, como no mundo de Palpatine, Temer é o gestor de um universo onde os ricos podem continuar fazendo seus negócios. Nesse universo, o PSOL e o PT são a resistência, e suas lideranças nossa versão do personagem Luke Skywalker, o rebelde. Star Wars é uma crítica a toda forma de poder centralizada, exatamente com a que quer exercer Michel Temer, José Ivo Sartori e Nelson Marchezan Jr. Daí que reiteradamente, seu criador, George Lucas, afirmar que sempre se preocupou em “como a democracia transforma-se ela mesma em tirania”.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Para quem por uma improvável razão jamais assistiu a saga, o Império é o equivalente do mal, e a República, do bem. Dualismo mítico na saga que se expande para o campo político e reitera uma imagem moralista para o regime do imperador. É claro que há diferenças entre a ficção e a realidade: um dos princípios gerais do regime republicano, a soberania popular, isto é, o poder que é do povo e a quem cabe a decisão final sobre a melhor forma de organização, inexiste na saga. A narrativa não dá atenção a personagens comuns. É a característica cinematográfica e literária da epopeia se impondo à política: o destino dos heróis são o destino dos povos. Todas as suas ações são justificadas porque elas estão a serviço de um poder superior, do destino, da “Força”. Os heróis de George Lucas não têm muita escolha a não ser fazer, e fazem, o que é melhor para si mesmo e que é ao mesmo tempo o melhor para o seu grupo. O mundo da saga se expande segundo a subjetividade dos heróis, Lucas Skywalker, Leia Organa e Han Solo, para citar alguns.

Em realidade, o campo político por detrás dessa ficção científica é um trabalho superficial sobre a ideia de democracia e de república. As aventuras de Luke, a saga dos cavaleiros Jedi, a “Força” – algo que está em tudo e ao redor de tudo no universo e de onde e mana o poder dos Jedi – revelam a aventura mitológica suplanta a política. E o que pode ser criticado – ou não, já que se trata de cinema -, que a saga reforça o mito de sermos marcados por uma herança que nos faz bons ou maus, Cavaleiros ou membros do lado escuro da Força, o eterno mito sempre buscado pelo homem individual, o da fundação do tempo que deixa de lado as formas de associação solidária que podemos vir a construir.  Star Wars – que se passa num passado não muito distante – é a Disneylândia política do futuro que os americanos perseguem, um lugar onde a política é apenas o pano de fundo, exatamente como as histórias de Walt Disney são o pano de fundo da indústria em que a Disneylândia se transformou no mundo de hoje.

Este não é de certa forma o desejo oculto de nossos políticos, de que o povo, é apenas o pano de fundo de decisões tomadas pelo capital financeiro, encarnada na conclusão da delação que envolve a compra de 1/3 da Câmara dos Deputados?  No Congresso Nacional que cassou, de forma ilegítima sua Presidente, Dilma Rousseff, o relato da perda da liberdade que ficou consagrado na fala de Padmé Amidala, em A Vingança dos Sith, encaixa-se com perfeição: “Então é assim que a liberdade morre…com estrondosos aplausos”. A fala não é a descrição exata de nosso contexto político? Não é assim que a classe média carioca está vendo as medidas do Prefeito João Dória ao intervir na cracolândia, com aplausos? Não é assim que a classe média porto-alegrense está vendo as medidas de austeridade de Nelson Marchezan Jr sobre os servidores públicos? Ainda que seja sempre uma visão política limitada a defendida por Star Wars, no entanto, ela inspira prestar atenção aqueles que tentam chegar ao poder – e de novo, a imagem não serve perfeitamente bem para encaixar Fernando Henrique Cardoso e todos os demais candidatos numa eleição indireta para Presidente da República feita pelo Congresso?

 

Democracia e fascismo

Outro tema relevante na série é a oposição entre democracia e fascismo. As restrições ao poder executivo, na pressão dos rebeldes sobre os Chanceleres, não é a mesma que a sociedade faz sobre as ações do Presidente da Câmara dos Deputados? Ou do Presidente Michel Temer? A história de nossos representantes não é semelhante à do imperador Palpatine, que chegou ao poder pelas disputas políticas, exatamente como Eduardo Cunha chegou uma vez à presidência da Câmara dos Deputados e ainda exerce poder, com a absolvição de sua esposa por Moro no escândalo da Lava Jato? Ou ainda, porque inúmeros cidadãos foram a Praça dos Três Poderes lutar por diretas e combater o pacote do governo. É fácil ver na afirmação de Anankin a resposta: ”Nós precisamos de um sistema em que os políticos possam se sentar e discutir o problema, e concordem sobre o que é do interesse do povo em geral, para então atuar”, quando então Padmé lhe pergunta: “E se eles não o fizerem”, ao que Anakin responde: ”Então eles devem ser forçados a fazê-lo”. Não foi esse o sentimento que esteve por trás da violência popular contra o patrimônio público, não foi esse esforço em obrigar os políticos a atender a uma demanda? Por esta razão, a afirmação de Luis Felipe Miguel, afirmar, justamente em função dessa violência que ”para os que prosseguem no discurso da condenação aos “vândalos”, uma lembrança singela: vidraça não é gente. A polícia atirou em manifestantes, feriu vários, alguns com gravidade, lançou uma enormidade de bombas, tentou impedir o protesto. Não é hora de chorar por um banheiro químico ou umas janelas. Isso é reforçar a justificativa da repressão.”

Star Wars aponta para a política o problema da concentração do governo em uma única pessoa: não é exatamente esse o lugar do prefeito Nelson Marchezan Jr e da Presidência de Michel Temer, nossas espécies de Palpatine local e nacional, cujas ações na prática culpam os próprios cidadãos e servidores públicos que lutam por seus direitos como motivo de sua intervenção, por suas ações, desculpa para o uso da força? Que a busca pelo poder seja uma característica dos políticos, estamos de acordo. Star Wars nos diz que o problema é que uma vez no poder, outra coisa assume o lugar, como, certa vez, ocorreu também com a esquerda. Não foi assim que o idealismo petista cedeu lugar a política de conciliação?

 

Conservadores

Sunstein defende que os rebeldes de Star Wars na verdade são conservadores. Eles querem a restauração da república, são conservadores porque querem o retorno a um passado de valor. Nesse sentido, os movimentos sociais contra a reforma de Michel Temer também são conservadores, os movimentos pela manutenção da rotina escolar frente as reformas de Nelson Marchezan Jr são conservadoras porque é a defesa do estado anterior às reformas, que Temer e Jr consideram revolucionárias – como Palpatine – mas são na verdade uma perda de direitos. Temer não consegue entender o pensamento de Obi-Wan Kenobi, em Uma nova Esperança: ”Lembre-se, Luke, o sofrimento de um homem é o sofrimento de todos. As distâncias são irrelevantes para a justiça. Se não for parado logo, o mal termina se expandindo e envolvendo todos os homens, quer o tenham enfrentado, quer o tenham ignorado”.  A ideia presente em Star Wars de que o mal acaba por engolfar a todos no poder não cai como uma luva para os destinos da esquerda? Há como negar que uma parcela da culpa do que ocorreu com o governo Lula e Dilma não se deve ao que o PT cedeu para chegar ao poder?

Outra ideia da saga é que a rebelião, a luta contra o poder, tem seu valor porque até as lideranças com maior poder podem ser surpreendidas. Palpatine não tinha ideia de que Luke resistiria a seu pedido e nem, lembra Sunstein, que Darth Vader o atacaria, exatamente como o Secretário Municipal de Educação Adriano Naves não tinha ideia da resistência que teria dos professores com a rebelião provocada pelo magistério municipal. Michel Temer foi surpreendido num processo de delação que o transformou, como afirma a jornalista do Correio do Povo Taline Oppiz, de vice-presidente decorativo, para o que jamais imaginaria ser, um presidente decorativo. Essa confiança excessiva que faz com que cada autoridade acredite fielmente no que quer acreditar é o que é responsável pelo recuo de cada uma num período de resistência. Não há como, para o poder, imaginar os caminhos e opções políticas da resistência, seja no plano real ou no universo imaginário de Star Wars.

 

Infelicidade da população

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Tanto em Star Wars, como em nossa realidade, é a infelicidade geral da população, seja pelas dificuldades econômicas, humilhação ou exploração, que provoca a rebelião. “É igualmente claro que as pessoas podem radicalizar diante de certos eventos precipitadores – especialmente quando a tirania bate à porta”, diz Sunstei. Não é exatamente o que acontece com as reformas, especialmente no Rio de Janeiro, com o atraso de funcionários, com o desmonte e extinções de Fundações do Rio Grande do Sul, elas não são vistas como expressões da tirania em estado bruto? A revolta popular contra governantes, contra as medidas de reforma propostas por Temer acontecem porque os eventos estão próximos dos atores, polarização de grupo, afinidades de pessoas que concebem que algo deve ser feito, exatamente como os Jedis, ou os grupos pró-cultura e democracia constituídos a partir das redes sociais, como o Grupo em Defesa do Estado de Direito e da Democracia.  Constituídos a partir de redes de amigos das redes sociais, tais grupos trocam informações, reforçam suas convicções e começam a atuar numa direção.

E a política? O próprio nome “Star Wars ” foi emprestado do Sistema de Proteção Antimísseis norte-americano, o que de certa forma, foi seu batismo no campo político. Curiosamente, a saga nunca suscitou um debate mais aprofundado dos regimes que envolve, a República e o Império. Este é o centro de toda a saga e que nunca foi discutido com atenção: como pode uma República transformar-se em um Império? A questão é interessante. Primeiro: o que é uma República? Esta questão tem sido respondida de diversas maneiras. República é uma forma de governo em que os cidadãos elegem seus governantes por um prazo determinado, ao contrário da monarquia, em que o poder é hereditário e vitalício. Há, com certeza, os modernos regimes monárquicos onde o povo não escolhe seu rei ou rainha mas elege o chefe do governo e os membros do Poder Legislativo – George Lucas não indica como funciona seu Império, apenas sua República – no campo político não há diferença de valor entre uma monarquia e uma república.

Para Renato Janine Ribeiro “democracia hoje tem que ser republicana”. Observe-se que o autor não opõe república a monarquia, já que defende que uma monarquia constitucional pode teoricamente ser “republicana” em determinado sentido. George Lucas quer nos fazer crer que sua República Galáctica é o regime bom, positivo, da força de vontade, da responsabilidade e do interesse público-planetária quando, ao contrário, é a vertente futurista de uma política puramente liberal, encarnação do interesse individual. George Lucas não é Sergei Eisenstein, para quem a política democrática radical é aquela que no cinema, é encarnada pelo desejo coletivo.

A República Galáctica tem outro problema. Enquanto que na verdadeira república é um regime de responsabilidade em que os bons cidadãos colocam o interesse coletivo acima do individual, a República Galáctica é ocupada por interesses individuais. Han Solo e seu interesse por dinheiro para participar das missões da Aliança; os dramas familiares que cada personagem carrega em busca de sua solução, como a necessidade de redimir o pai, de Luke. No episódio 1, diretamente inspirado em Adam Smith, o conflito que dá origem a trama é de relações comerciais entre planetas, noutra palavra, mercados. A saga confunde todos estes elementos, mercado com sociedade, economia com política e os princípios fundadores do mercado passam a ser os princípios correspondentes da política, e não a argumentação e o compromisso. O mundo de Guerra nas Estrelas está baseado num liberalismo exacerbado e não em uma ética da responsabilidade para com todos os povos, que define a ideia de República e exatamente por isso é o espelho da lógica de tomada de decisões políticas no Brasil, no fundamento dos projetos de governos neoliberais em andamento em administrações municipais.

É preciso lembrar que todas estas discussões apenas introduzem categorias políticas numa trama romanceada e estamos buscando exatamente o contrário, tirar as categorias da trama romanceada para a realidade: nem mesmo a saga liberta-se das categorias políticas e nem os homens libertam-se da economia porque os princípios liberais do século 18 marcam as relações entre os homens tanto na ficção quanto na realidade. Na verdade, a saga, como há mais de cem anos, retoma a ideia, mas de forma confusa, de que a República é o regime sonhado para a democracia, inclusive interplanetária dos cidadãos e seus interesses – o filósofo esloveno Slavoj Zizek já fez a crítica desse postulado, no sentido de que não vivemos a verdadeira democracia, mas uma democracia que serve apenas para justificar as ações do capital: não é exatamente o ponto em que nos encontramos em relação as políticas do governo Temer? A reforma trabalhista é para o presidente, o que a reforma da educação do governo Marchezan e o projeto higienicista do governo Dória a forma de implantação de uma lógica perversa, de administração financeira, do tempo e do corpo excluído? Para a saga avançar, George Lucas terá de expor mais as contradições do poder e a dificuldade cinematográfica é justamente a de focar o emocional, de representar aventuras de homens e as mulheres alimentados por visões da política complementares e não ideais. Para a política nacional avançar, nossos governantes terão de focar no social, de realizar políticas que implementem a valorização da vida.

Foto: Ricardo Giusti/PMPA

Foto: Ricardo Giusti/PMPA

As razões pelas quais os aspectos políticos na saga sucumbem à formação de mitos podem ser explicados pela Sociologia do Filme consolidada a partir da obra de Dieter Prokop: a saga nada mais é do que um exemplo de produto da indústria cinematográfica para atendimento das necessidades de camadas amplas de público. Nesse campo o filme é atravessado pelas exigências de promoção e venda do capitalismo tardio e de todos os produtos oriundos do filme (brinquedos, máscaras, armas, videogames) que o transformam num meio de promoção de mercadorias e não de ideologias políticas. Pior: como produto típico da hiper-realidade em que vivemos, o filme não existe nem mais para contar uma história, nem seu enredo, personagens ou tramas políticas são fundamentais, já transgrediu tudo isso, está noutro lugar, o filme existe para movimentar outra indústria a ele vinculada. Num universo em que já não vale tanto contar uma história, a saga não dá espaço suficiente para o aprofundamento da experiência política do telespectador: todas as cenas, todos os conflitos políticos, são imediatamente mostrados e nada resta para dar em troca. Não existe o universo da sedução. Restam, por esta razão, apenas fragmentos de narrativas políticas que se pode apropriar. Não há ideia de sistema político, somente de sistema planetário. Por isso é tão próximo para explicar as políticas de nossos governos, que vendem o patrimônio social ao capital mais próximo, governos para os quais não vale a pena investir no social e por isso, são restritos os espaços de ocupação.

O filme privilegia o modo de utilização de vários artifícios, num trabalho sobre fragmentos, recuperando ícones do cinema, naquilo que poderia ser chamado, na falta de uma melhor expressão, de um pastiche político pós-moderno. Mas talvez seja exatamente esta a categoria ausente da análise política contemporânea: e se toda a prática de nossos políticos não se reduzir apenas isso, pastiche, colagem de fragmentos, reações, estímulos que nada devem a verdadeira política, ao contrário, estão…anos luz de distância dela. Não foi o que aconteceu com a política higienicista de Dória, que teve de ceder ao Ministério Público por uma total incongruência entre fins, objetivos e ações? E não foi o que aconteceu com a política de privatização de José Ivo Sartori, que emperrou num processo na Justiça Trabalhista? O pastiche politico é tão frágil quanto o pastiche cinematográfico e talvez aí esteja um espaço para o avanço dos movimentos sociais.  A saga, é claro, privilegia outros elementos além do político presentes na narrativa, como o é a da viagem imaginária a outros mundos de regimes políticos diferentes, que em Star Wars é a viagem de Luke a seu planeta natal, Tantoine, a presença de “não cidadãos”, dois robôs de uma forma otimista – na origem, o termo robô significa “trabalho forçado”, a presença de Impérios Galácticos, ligas e confederações tomados não em seu sentido estrito mas como clichê, reciclados e compondo um produto que vende uma ideologia belicista – o Império é voltado para guerra e toda sua iconografia lembra diretamente o fenômeno nazi – só para lembrar, muitas das ações do governo Marchezan em Porto Alegre, nas redes sociais, também foram assemelhadas a ações… nazistas!

Quais as diferenças entre a saga e a realidade politica? Num mundo marcado pela ascensão da tecnologia pura que termina por ocupar o lugar dos regimes políticos, a nossa obsessão é a sobrevivência em um futuro sem germes, sem mal, sem sexo e sem..política! No mundo de Temer, Doria, Sartori e Marchezan, a única tecnologia possível é aquela da expulsão, da retirada de direitos sob a máscara da legalidade, do atropelo do patrimônio público em defesa do capital. Não é notável que a expulsão promovida por Dória na  cracolândia tenha sido por um ato administrativo? Não é exatamente essa técnica, que neutraliza toda a legitimidade de movimentos em defesa dos direitos humanos, anulando a lei pelo exercício da lei?  Mas a continuidade da saga queima e consome seu objeto: vemos, a cada filme, com a tecnologia em ascensão, os mesmos conflitos sendo recolocados da mesma forma que, a cada nova eleição, vemos mais do mesmo projeto ultra neoliberal em andamento. Buscamos desesperadamente pelas cenas que nunca foram vistas e que somente a tecnologia cinematográfica permite mas perdemos a narrativa da epopeia, da mesma forma que na realidade lutamos por ações do poder público em defesa da sociedade, mas a cada nova ação, tudo o que se vê é o aprofundamento da defesa do capital: preferiríamos esquecer a repetição dos projetos de exclusão social, de fim dos direitos sociais, mas aos sucessivos governos de direita só importa a implementação de uma ordem do capital, da transferência do patrimônio público a iniciativa privada e de fim de direitos. A política neoliberal também queima e consome seu objeto, a sociedade trabalhadora. O retorno às ruas é o sinal evidente de repetidas à exaustão, essas medidas cansam. E aí, a possibilidade de rebelião social, é maior.

 

 

downloadJorge Barcellos é Articulista do Estado de Direito, responsável pela coluna Democracia e Política – historiador, Mestre e Doutor em Educação pela UFRGS. É autor de “Educação e Poder Legislativo” (Aedos Editora, 2014), coautor de “Brasil: Crise de um projeto de nação” (Evangraf,2015). Menção Honrosa do Prêmio José Reis de Divulgação Científica do CNPQ. Escreve para Estado de Direito semanalmente.

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